“Cadê a tampa da minha panela, o chinelo do meu pé cansado, a metade da
minha Laranja? ”(…)
E chega! Há anos peço o príncipe e só me mandam o
cavalo!
(…)Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então
lá vai: quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu
te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso,
casar de branco, ser carregada no colo, filhos,
casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero
ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na
cabeceira da cama e do outro o homem que amo.
(…)Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor.
Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra
sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda
assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na
escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura.
(…)E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e
pensar que “aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de
aparências” vou ter pena desse coração solitário que ainda não
encontrou o verdadeiro amor.””
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