Então, acabei de perder oque eu tinha achado um inicio brilhante para
minha historia, que agora será contada, provavelmente de forma mais
sucinta, pois sumir com textos de uma hora para outra é uma coisa que me
desanima a mão, mais em fim, continuando de onde eu tinha parado, no
estilo Mary Jane e Homem Aranha, meu primeiro beijo, um susto, até hoje
não sei bem como me senti, foi tanta conversa fiada para um beijo
roubado sem aviso prévio, como eu havia de sentir, foi tão rápido o
susto empurrou meu braço antes que eu percebesse que era bom, mais o
segundo foi melhor, não me lembro muito do antes ou do depois, esse eu
lembro que ainda nos colchoes do quarto de bonecas, atrás da casinha, eu
aos 11 anos tinha um ser de 13 anos deitado, não me leve a mal, eu já
fui inocente também, em mim, me lembro muito bem de tudo no meu segundo
beijo, mais fico constrangida em escrever, escrever sobre beijo, parece
ainda hoje um assunto proibido.
Eu não quero falar do meu primeiro ou do segundo ou decimo beijo,
quero falar do beijador, F.S.S. o um que há sete anos me atormenta, com o
sentimento que julgo eu, é o mais próximo de amor que eu hei de sentir,
a não ser amor de mamãe, ais se não vim falar de beijo, ia eu falar de
mamãe, não, meu assunto é o beijador, que ainda hoje quer me beijar, e
como da primeira vez, antes mesmo de pensar eu o acabo afastando de uma
vez, e me arrependo, eu não sei por que, eu gosto de tê-lo por perto,
não quero (talvez um pouco) seus beijos, gosto da bajulação do cortejo,
de quando ele é educado e amoroso, de quando se preocupa em abrir a
porta do carro pra mim, não é fácil achar alguém assim, mais eu não sou
diguina de tanto ‘frufru’.
Ele é o namorado que todas as minhas amiguinhas sonham, e rogam a
Deus antes de dormir, pra mim, ele é beijador, e eu não sei como me
afastar, beijar é bom, e eu e ele damos certo, mais eu não quero mais
que beijo. Quero a dança, não sei explicar, eu gosto enquanto é
escondido, a enrolação, o poder de envolver criar a situação perfeita e
na ultima hora inventar um empecilho balde pra atrapalhar tudo, é como
num desenho, em que os episódios são sempre a mesma coisa, e acabam do
mesmo jeito, e eu sou o mais esperto, e ele o que corre atrás, o premio,
um beijo, pra mim, só a sensação de poder já me vale, e se fosse só com
esse que eu brincasse mais toda boca me parece um brinquedo novo, com
novos jeitos de correr atrás do premio, cantadas mais chulas, que me
fação rir, eu sei que é culpa do primeiro, que não desiste nunca, ele é o
principal, ele que me faz me sentir tão poderosa, soberana, ele aguenta
tudo, ele vai vir de novo, ele que já teve o premio mais que qualquer
beijador, o primeiro até, é o que nunca me deixa, acredito eu que o
premio que ele procura agora é outro, é abrir caminhos nunca
percorridos, e eu sigo com minha brincadeira, de esconde-esconde, em
frases de duplo sentido, ciúmes bobos, uma amizade estranha.
Toda a intimidade parece falsa quando eu penso que nós somos um
casal, eu não sirvo pra isso, eu não posso colocar mais ninguém nesse
barco desgovernado que é meu coração de pedra. Ele me amando ou não, faz
de apaixonado, me confunde mais ainda me faz querer amar.
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